domingo, 9 de janeiro de 2011

E-MAIL ABERTO AO NOVO SECRETÁRIO DE CULTURA DE PERNAMBUCO

Prezado Secretario Fernando Duarte,

Acredito que as pessoas que trabalham com a cultura no estado de Pernambuco, técnicos, artistas e fornecedores diversos, desejam que seja frutífera a sua passagem pela nova secretaria e que de preferência a secretaria não seja  passageira ou lotação para inúmeros cargos.
Não o conheço pessoalmente, mas algumas pessoas que o conhecem informaram-me que o  novo secretario é uma pessoa preparada para a função e pronta para ouvir a sociedade. Quanto ao preparo, só o tempo dirá. Considerando então a suposta abertura para o diálogo com a sociedade ( coisa que ademais todas as autoridades públicas deveriam ter, pois prestam um serviço a coletividade, embora algumas esqueçam disto rapidamente), tomei a liberdade de escrever este `email aberto', para desejar-lhe boas vindas e abordar alguns temas referentes a cultura que julgo importantes para a nossa reflexão.
Não pretendo aqui fazer um apanhado das coisas que aconteceram na antiga gestão da Fundarpe, pois penso que o Senhor é bem ciente delas, penso que algumas foram acertadas e outras não e espero que aquelas acertadas permaneçam e as demais, sejam corrigidas. O meu desejo é tocar nestas outras.
Então vamos lá:
O Estado tornou-se  um agente importantíssimo de fomento a cultura em Pernambuco e a Fundarpe o órgão principal de gerenciamento desta política. Muitos eventos foram realizados e um processo benéfico  de descentralização  foi iniciado levando recursos públicos para o interior também. Embora eu particularmente discorde de algumas formas ( a participação ativa demais de prefeituras que sequer tem um órgão responsável pela cultura em suas cidades), concordo com o processo maior de permitir o acesso  cultural a grande número de pessoas.  Até  aí tudo quase bom, então chega a hora dos pagamentos…
Aqui em Pernambuco virou a hora do pesadelo. Artistas técnicos, fornecedores e de forma geral qualquer um que trabalhe com a Fundarpe tem sempre uma reclamação quanto ao atraso muito grande nos pagamentos dos serviços prestados. O atraso é uma conversa recorrente nos bares da vida e nas noites recifenses. Não é preciso ser um gênio para entender que temos um grande problema nesta área e que sendo estes eventos quase sempre os mesmos todos os anos, um planejamento melhor poderia resolver a situação, ou então a instituição  realizar apenas aquilo que pode. Este problema dos pagamentos não é uma questão só dos artistas, dentro da própria instituição muitas pessoas também não recebem em dia e é questionável se todo este atraso não viola seus direitos trabalhistas. Ha bolsistas, contratados, comissionados e todos eles precisam de um pouco de atenção. Não é possível manter e/ou desenvolver uma cadeia produtiva da cultura pagando sempre com atraso, tanto para quem presta o serviço, como para quem é responsável por gerenciar o mesmo.
Aproveito esta deixa de funcionários diversos para perguntar...  Quando teremos concurso publico para a Fundarpe e plano de cargos e salários para seus funcionários, valorizando-os? Sim, sei que alguns cargos continuarão sendo de confiança e não tenho problemas com isto, desde que não sejam 10 mil e as pessoas estejam ali por competência e não por pertencerem a este ou aquele partido. O Estado, quero recordar, nos pertence, a nós cidadãos, não aos partidos, mas infelizmente assistimos dia e noite no Brasil um loteamento de cargos que muitas vezes nada tem com mérito.
Mérito secretario, também deveria ser o único critério para se eliminar ou aprovar um projeto artístico no Funcultura, não concorda? Não há razão para a manutenção deste modelo que elimina projetos por que falta uma carta de anuência, uma conta de luz ou algo do gênero. O único ‘envelope’ que deveria ser aberto deveria ser o do projeto artístico. Aprovou, tem-se um período para apresentar os documentos e assim firmar o contrato. Todas estas cartas de anuência, croquis, desenhos de luz, plantas baixas são obra de ficção, nos sabemos disto. Este amor casto pela burocracia também pode ser questionado. Há formas de se enviar estes projetos sem usar um só papel, o que além de diminuir a burocracia, ajuda a natureza. Grandes empresas que patrocinam a cultura tem  adotado modelos totalmente informatizados onde os projetos são enviados on-line. É tão difícil fazer isto aqui?. Então quando falo no ‘envelope’ único, com o projeto artístico, me refiro a este sistema informatizado. Depois nós podemos mandar os documentos também digitais é claro. Não falta tecnologia no mundo de hoje  para fazer tal coisa.
Fazer coisas secretario, depende de muitos braços e algumas são mais fáceis que outras. Nós  artistas podemos criar nossas obras,mas é bem complicado construir um teatro ou uma galeria um museu e etc. Aqui tratamos também da infraestrutura para a ampliação da nossa economia. Pernambuco assiste a uma significativa expansão da economia do estado, com investimentos em portos, rodovias, ferrovia, que atraem outros investimentos e alavancam a produção, melhorando a logística e etc . Embora não seja eu, um economista, posso garantir que sem investimento na infra estrutura cultural a produção  cedo ou tarde vai minguar. Um economista que estiver aí a seu lado poderá  facilmente explicar a razão. Sim, é mais fácil fazer uma peça teatral que construir um teatro. E não seria disto que estamos precisando? Temos um teatro de boa qualidade um cinema elogiado, um a literatura das melhores, artes plásticas e fotografia tb. E espaços culturais pra apresentar toda esta produção? Nossos teatros, por exemplo, passam a maior parte do tempo fechados e se concentram todos no centro da cidade. Por que não uma rede de espaços culturais permanentes nos bairros e nas cidades do interior, com sala de espetáculos, cinema, bibliotecas, galeria e espaços para ensaios. Uma rede assim facilitará a circulação do produto. Há modelos diversos para construção desta rede, alguns equipamentos permanentes, outros de estrutura modular semi-permanente e semelhantes a lonas circenses. Terei prazer em conversar sobre isto se desejar.
Claro, que todas estas coisas precisam de recursos e de um comprometimento da nossa sociedade com a cultura. Penso que embora seja importante a participação do Estado na manutenção da cultura, chegou a hora destes empresários bronzeados mostrarem seu valor. Quantas salas de cinema a Fiat vai construir em Pernambuco? E o estaleiro atlântico sul, quantas bibliotecas? Quando ficarão prontos os teatros do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Jaboatão, estas cidades que não param de receber empresas. A grana investida no porto não é de todos? Queremos um comprometimento maior do empresariado pernambucano (sempre ausente) com a cultura e não estou falando em chás e colunas sociais. Penso que a secretaria pode fazer um chamamento da classe empresarial para uma maior participação financeira nos investimentos culturais. Não basta ficar usando imagens de caboclo de lança e passistas de frevo para divulgar suas marcas, não basta ser pai é preciso participar. Eu quero um pedaço de Suape para a cultura, eu quero um pedaço do pré-sal para a cultura e se nós encontrarmos ou desenvolvermos qualquer outra riqueza vou querer também. O desenvolvimento econômico do Estado não pode ficar na mão de meia dúzia. Um lugar que não aprecia e valoriza sua cultura e os agentes culturais é um ajuntamento e não uma civilização. Sei que isto não é  algo diretamente ligado a secretaria de cultura, mas é política e podemos aproveitar o boom econômico também na estruturação das nossas cadeias produtivas.
Pense com carinho e deus nos livre de artistas ingênuos.

Este email como escrito acima é aberto e estou publicando o mesmo no blog da Trupe. Espero ter iniciado uma conversa boa e desejo continuá-la, quem desejar participe também.
Sinceramente desejo-lhe sucesso. Os contatos seguem abaixo.
                                                                                                       Elias Mouret.
trupedecopas.blogspot.com
eliasmouret@yahoo.com.br

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Chile - Um big brother?

Os especialista logo se apressam:
"Os mineiros terão que lidar com a fama...
os mineiros relembrarão estes fatos durante a vida...(nossa, é mesmo?)
Os mineiros terão que lidar com a imprensa...
Não vai ser fácil para eles...
eles terão que emagrecer...
a cápsula é muito apertada."

Especialistas em túneis, em psicologia, em geologia
e em muitas outras gias estavam a postos
para mostrar a fraqueza do homem comum
e como é possível explorar ao máximo esta condição.
Já perceberam que sempre que há um desastre,
aparece especialista por todos os lados, dando pitaco
em todos os programas de fofoca e de jornalismo?
A ênfase é quase sempre na miséria humana, no erro
na possibilidade de fracasso.
E se a sonda emperrar? E se eles tiverem uma embolia pulmonar?
Há muitos terremotos no Chile? Se acontecer um
terremoto durante o resgate?
E o mineiro que tem mulher e amante?
Será que vai dar barraco? Ou terrremoto?
Enquanto isso, rolava a votação na "fazenda".
Será realmente necessário, enfatizar sempre a fraqueza,
a fragilidade da nossa condição,
para adquirir audiência?
Não foram todos que fizeram isto.
Aquele jornalismo ou opinião, que mostra
as nossas possibilidades,a grandeza humana,
a solidariedade o perdão, por acaso perde audiência?
Exibir sempre o que há de pior,
parece agradar a muita gente.
Não, não estou falando contra a imprensa.
Estou falando da necessidade cada vez maior
de ver a miséria, a destruição, a guerra,
o sofrimento, como coisa banal e até mesmo útil.
A imprensa, a igreja, a polícia,
são feitas por nós.
Não foram os marcianos que geraram estas instituições,
se queremos que melhorem,
devemos também nos aperfeiçoar.
Um bom caminho é, sem ingenuidade,
ver as coisas boas que há nos outros
tanto nas pessoas como nos grupos,países
(abaixo o xenofobismo e o bairrismo).
O grande irmão tem olhos, mas nós também temos
e não é virtuoso culpar as instituições
por nossa covardia.
Temos que nos questionar se devemos sempre
colocar as nossas decisões nas mãos de "especialistas".
Nossos sentimentos especializados, não suportam outras
esperiências amorosas, afetivas,libertadoras.
Nossas mãos especializadas, só apertam as mãos
dos conhecidos e aceitos.
Eu quero ver um gesto de bondade em 'umbig bhother".
Quero escolher os que tem horizontes amplos
como o deserto do Atacama,
que pensam por suas próprias forças,
sem contudo renegar a sabedoria alheia.
Os mestres, os apaixonados, os que perdoam
os sobreviventes, os líderes, os que lutam.
O grande irmão nenhuma força tem sobre eles
de dia ou de noite carregam sua própria luz.
E Viva Chile!

eliasmouret

Lista de Filmes indicada pelo Vaticano: vale a pena conferir!

18 18UTC outubro 18UTC 2010 por icarodiniz123
Em 1995, pelo centésimo aniversário do cinema, o Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais editou uma relação de 45 filmes que possuem especial importância em matérias religiosas, artísticas ou morais.
Observe-se, porém, que devemos assistir a esses filmes como pessoas maduras e inteligentes, sabendo pensar criticamente e separando as coisas boas e as coisas más que existem neles. Ora, nenhum filme é perfeito, nem mesmo os da categoria principal (Religião); portanto, nem tudo que apresentam é endossado.
Em particular, as ideias religiosas contidas nos filmes relacionados sob a categoria Arte ou Valores, não são endossadas (se as ideias religiosas existentes nesses filmes fossem endossadas, estariam relacionados sob a categoria Religião, ainda que tal categoria não reflita perfeição total).
Da mesma forma, nem todas as idéias morais apresentadas nos filmes de Arte são endossadas; esses filmes foram incluídos porque são marcos da arte cinematográfica e não por causa dos valores religiosos ou morais existentes neles.
Igualmente, os filmes listados na categoria Valores expressam bem um determinado ponto moral, podendo, entretanto, possuir outras ideias morais ou religiosas que não são endossadas.
Dublado ou legendado, boa parte desses filmes se encontra disponível em vídeo nas locadoras. Que tal, então, assistir a um desses filmes hoje à noite?

RELIGIÃO
·         A Paixão (La Passion) – Ferdinand Zecca (França, 1903).
·         A Paixão de Joana d’Arc (The Passion of Joan of Darc) – Carl Dreyer (França, 1928).
·         O Senhor Vicente (Monsieur Vicent) – Maurice Cloche (França, 1947).
·         As Flores de São Francisco (Flowers of St. Francis) – Roberto Rossellini (Itália, 1950).
·         Ordet/O Mundo (Ordet/The World) – Carl Dreyer (Dinamarca, 1955).
·         Ben-Hur (Ben-Hur) – William Wyler (Estados Unidos, 1959).
·         O Nazareno (Nazarin) – Luis Bunuel (México, 1959).
·         O Evangelho segundo São Mateus (The Gospel According to St. Mathew) – Pier Paolo Pasolini (Itália, 1964).
·         Um Homem para todos os Tempos (A Man for All Seasons) – Fred Zinnemann (Inglaterra, 1966).
·         Andrei Rublev (Andrei Rublev) – Andrei Tarkovsky (União Soviética, 1966).
·         O Sacrifício (The Sacrifice) – Andrei Tarkovsky (Suécia/França, 1986).
·         A Missão – Roland Joffe (Inglaterra, 1986).
·         A Festa de Babete (Babette’s Feast) – Gabriel Axel (Dinamarca, 1987).
·         Francisco (Francesco) – Liliana Cavani (Itália, 1988).
ARTE
·         Nosferatu (Nosferatu) – F. W. Murnau (Alemanha, 1922).
·         Metrópolis (Metropolis) – Fritz Lang (Alemanha, 1927).
·         Napoleão (Napoleon) – Abel Gance (França, 1927).
·         A Pequena Garota (Little Women) – George Cukor (Estados Unidos, 1933).
·         Tempos Modernos (Modern Times) – Charles Chaplain (Estados Unidos, 1936).
·         A Grande Ilusão (Grand Illusion) – Jean Renoir (França, 1937).
·         A Diligência (Stagecoach) – John Ford (Estados Unidos, 1939).
·         O Mágico de Oz (The Wizard of Oz) – Victor Fleming (Estados Unidos, 1939).
·         Fantasia (Fantasia) – Walt Disney (Estados Unidos, 1940).
·         Cidadão Kane (Citizen Kane) – Orson Welles (Estados Unidos, 1941).
·         The Lavendar Hill Mob (The Lavendar Hill Mob) – Charles Chrichton (Inglaterra, 1951).
·         A Estrada (La Strada) – Federico Fellini (Itália, 1954).
·         8 1/2 (8 1/2) – Federico Fellini (Itália, 1963).
·         O Leopardo (The Leopard) – Luchino Visconti (Itália, 1963).
·         2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Oddessy) – Stanley Kubrick (Inglaterra, 1968).
VALORES
·         Intolerância (Intolerance) – D. W. Giffith (Estados Unidos, 1916).
·         Cidade Aberta (Open City) – Roberto Rossellini (Itália, 1945).
·         É uma Vida Maravilhosa (It’s a Wonderful Life) – Frank Capra (Estados Unidos, 1947).
·         O Ladrão de Bicicletas (The Bicycle Thief) – Vittorio Di Sica (Itália, 1948).
·         Na Área da Praia (On the Waterfront) – Elia Kazan (Estados Unidos, 1954).
·         A Harpa da Birmânia (The Burmese Harp) – Kon Ichikawa (Japão, 1956).
·         Morangos Selvagens (Wild Strawberries) – Ingmar Bergman (Suécia, 1957).
·         O Sétimo Selo (The Seventh Seal) – Ingmar Bergman (Suécia, 1957).
·         Dersu Uzala (Dersu Uzala) – Akira Kurosawa (União Soviética/Japão, 1975).
·         A Árvore de Wooden Clogs (The Tree of Wooden Clogs) – Ermanno Olmi (Itália, 1978).
·         Carruagens de Fogo (Chariots of Fire) – Hugh Hudson (Inglaterra, 1981).
·         Gandhi (Gandhi) – Richard Attenborough (Inglaterra, 1982).
·         O Revoar das Crianças (Au Revoir les Enfants) – Louis Malle (França, 1987).
·         O Decálogo (Dekalog) – Krzystof Kieslowski (Polônia, 1988).
·         A Lista de Schindler (Schindler’s List) – Steven Spielberg (Estados Unidos, 1993).
 Fonte: Nazareth Resource Library
Tradução: Carlos Martins Nabeto
(http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=doc&cat=89&scat=126&id=238)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Garanhuns - Preservação ou Destruição? 

Precisamos urgentemente sair do comodismo e omissão, defender a conservação do patrimônio material e imaterial de nossa cidade, sob o risco de vermos as novas gerações desconhecerem as origens, os documentos históricos. Já assistimos impávidos, a derrubada pela especulação imobiliária, de tantos e tantos casarões do ciclo do café...

Daí, a necessidade surgida do anseio de vários historiadores amadores e amantes desta Terra, que estão gestando o Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns. 

Juntos, Audálio, Elias Mouret e Maxwell, temos pensado, conversado... e agora agido: enquanto é tempo de preservar o que já passou, e criar a cultura da preservação, pois a história, mutatis mutandis, está sempre sendo feita, mudada, criada.