segunda-feira, 8 de junho de 2026

Palácio Celso Galvão completa 83 anos (Prof. Cláudio Gonçalves)

 

INAUGURAÇÃO DA PREFEITURA DE GARANHUNS

8 de junho de 1943 / 83 anos de história

*Prof. José Cláudio Gonçalves de Lima





         Grandes manifestações de júbilo e brilhante recepção fizeram a população de Garanhuns e dos municípios vizinhos viver um momento histórico no dia 8 de junho de 1943. Garanhuns amanheceu em clima de festa cívica de maior esplendor. Fora decretado feriado municipal e inúmeros garanhuenses e autoridades militares e politicas estiveram presentes para prestigiar a inauguração da nova sede da Prefeitura de Garanhuns, marcando uma página memorável nos anais desse município. Tudo se revestiu de excepcional brilhantismo em cumprimento a um grandioso programa, sob as luzes brilhantes de um tempo magnifico de sol.  O prefeito Dr. Celso Galvão tinha viajado a França e ficou deslumbrado com a arquitetura e o design de um edifício em art Déco que poderia copiá-lo para a construção de uma nova prefeitura de Garanhuns. Ao retornar a cidade, depois de muita luta conseguiu do Interventor Federal Agamenon Magalhães a doação do Grupo Escolar Estadual Nilo Peçanha, começando a demolição do antigo prédio no dia 9 de setembro de 1941, com início das obras no dia 14 do mesmo mês, sendo orçado um gasto estimado para a construção de CR$ 535.754,90, projetado pelo renomado arquiteto italiano Giácomo Palumbo e com participação de um dos grandes nomes personagens da nossa arquitetura, Leonilo Ferreira do Nascimento, o Mestre Nilo.


                                                                               

Fonte: Revista da Cidade janeiro 1928 (Blog Ibá Mendes)
Projeto do Prefeito Euclides Dourado


     

        Sob um crescente entusiasmo que empolgou a população, às 9 horas o Prefeito Celso Galvão, deu início a pomposa programação, com a inauguração do Campo de Aviação, com festiva recepção ao Ministro de Guerra, Eurico Gaspar Dutra; ao Interventor Federal Estadual, Agamenon Magalhães; ao Brigadeiro Eduardo Gomes, comandante da 2ª Zona Aérea; ao general Newton Cavalcante comandante da 7ª Região Militar; e ao inspetor do primeiro grupo de regiões, General Lúcio Esteves. Além da participação de numerosos populares, estavam presentes os senhores, José Bezerra de Almeida, M.J. Torres & Cia., Maciel Machado, Dr. Urbano Vitalino, Dr. Godofredo de Barros, Pedro Cavalcanti, Mauricio Amorim, Tranquilino Viana, Dr. Osias Ribeiro, Samuel Barbosa, Minervino Apolinário, Dr. Ruber van der Linden, Tomaz Maia, Dr. Geovani Lima, Antônio Brasileiro, Tomé Zaidan, Vitor Grossi, Antônio Tavares Correia, Fausto Lemos, entre outras figuras ilustres da cidade.  Após a inauguração, a comitiva seguiu para prestigiar a formatura no quartel provisório do 21º Batalhão de Caçadores do Exército, localizado na atual Vila Militar. Em seguida, se dirigiram para Avenida Santo Antônio, onde acompanharam o desfile dos ginásios, escolas e dos escoteiros, que marcharam da Praça Dom Pedro II em direção ao novo edifício da prefeitura.


             Início da Construção da nova Prefeitura de Garanhuns - 1941

 

      Ás 9h30, foi iniciado a solenidade de inauguração do Palácio da Prefeitura, em meio ao desfile dos estudantes. Terminada o evento de inauguração, às 10h30, foi inaugurado o Hospital D. Moura, e na sequência, por volta das 11h30, foi celebrada a inauguração do Grupo Escolar Henrique Dias.

 

        Logo após, às 12h30, foi oferecido um almoço as autoridades visitantes no Palácio municipal. Anda naquele tarde, foram feitas as inaugurações da Praça da Bandeira (atual Praça Mons. Adelmar da Mota Valença), do Jardim da Praça Dom Moura, e visita ao edifício em construção do quartel do 21º Batalhão de Caçadores do Exército, além do lançamento da Pedra Fundamental do Grande Hotel Monte Sinai.

 

       Por volta das 18 horas, realizou-se em frente ao Palácio da Prefeitura uma brilhante retreta, a cargo da Banda Municipal da Brigada, sob a regência do maestro José Lourenço da Silva, que mesmo após o encerramento da programação das festividades, continuou com seu conjunto instrumental e vocal fazendo apresentações durante três dias na cidade.

 

      Ás 19 horas, foi servido um banquete de 150 talheres ao Ministro da Guerra e o Interventor Federal, na sede do Sport Club de Garanhuns, posteriormente a sede do Clube IAC.  Para encerrar em grande estilo, a pomposa programação e as notáveis inaugurações, às 22 horas foi realizado um baile de comemoração na Associação Garanhuense de Atletismo (AGA).

 

        O Dr. Celso Galvão, recebeu vários telegramas com congratulações pelas inaugurações e melhoramentos realizados em Garanhuns, entres os telegramas enviados, o prefeito foi saudado pelo General Mascarenhas , Comandante da 2ª Região Militar de São Paulo; Coronel Dimas Menezes, Chefe Estado Maior 7ª Região Militar, do Recife; José Arnaldo, Coronel Comandante da Força Policial do Recife; Nelson Simas de Sousa, Capitão de Portos do Recife; Joseph Turton Junior, Presidente da Federação Industrias, Recife; Liberalino de Almeida, do Conselho Administrativo do Estado; Maria do Carmo Ramos Pinto Ribeiro, Diretora da Educação de Pernambuco e José Pinto Cavalcante, Diretor Regional dos Correios e Telégrafos.

 

          Inaugurada a prefeitura, o prefeito Celso Galvão solicitou a Câmara de Vereadores a abertura de créditos para a  compra de um relógio, o qual foi adquirido  no Rio de Janeiro na relojoaria Jaques Perret & Cia, com mostradores em losango, maquinário suíço-francês ; e mais sessenta mil cruzeiros concernentes a compra dos móveis para o edifício, gabinete, secretarias, departamentos, biblioteca, sala de curso de bordado e residência, visto que, prefeitos, governadores e presidentes residiam nos palácios municipais, estaduais e federais.

 

Todos os móveis de extrema beleza e modernidade do Palácio Municipal, foram construídos pelo servidor municipal, Manuel Ouro Preto com a ajuda do seu filho Arlindo Ouro Preto. Durante a construção da prefeitura, uma estronca de cedro rosa serviu como escora para apoiar a estrutura de construção, porém a árvore se desenvolveu no jardim do Palácio, e em 1982, o Cedro Rosa foi declarada Patrimônio Histórico de Garanhuns. O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), através de portaria Ministerial nº 9.229, de 25 de abril de 1975, tendo em vista o disposto no artigo 79 da Lei 94.771, de 15 de setembro de 1965 declarou a árvore imune de corte, considerando contravenção penal com pena de punição prevista da Lei 4 7712/65 (Código Florestal).



Palácio Municipal Celso Galvão e o Cedro Rosa


          Em homenagem ao Dr. Celso Galvão, que governou a cidade de Garanhuns em duas gestões, de 1937 a 1945 e de 1952 a 1955, contribuindo com o seu desenvolvimento e lutando pelas causas nobres da população, realizando grandes obras, como o Cristo Magano e outras tantas que marcaram suas administrações, em 16 de abril de 1975, em reconhecimento a sua dedicação ao município de Garanhuns, o prefeito Amílcar da Mota Valença, sancionou a Lei nº 1646 e a Câmara de Vereadores aprovou e o presidente da Câmara Antônio Adeildo Ferreira,  assinou que a partir daquela data o edifício da Prefeitura Municipal de Garanhuns seria denominado de “Palácio Municipal Dr. Celso Galvão”,  uma justa homenagem a quem fez história na sociedade e na política garanhuense.

 

DR. CELSO GALVÃO, DADOS BIOGRAFICOS


Dr. Celso Galvão - (colorizada por IA)

      O Dr. Celso Galvão, odontólogo, formado no Rio de Janeiro, casado com a pianista e professora Sylvia Galvão, foi um dos políticos de maior destaque em nossa região, conseguindo um fato inédito na época, sendo prefeito de Caruaru por duas vezes (1922/1925 e 1936/1937), e por duas vezes também prefeito de Garanhuns (1937/1945 e 1951/1955).

      A primeira administração por nomeação do então Interventor Federal Agamenon Magalhães e a segunda pelo voto direto.      Em Caruaru, também disputou apenas uma eleição, era filiado à Liga Cívica Caruaruense, em Garanhuns, representou a Aliança Democrática de Garanhuns, integrada pelo PTB, UDN e dissidência do PSD.

     Administrador público carismático, fez excelentes gestões nos dois períodos, sendo responsável pela construção do atual prédio da prefeitura que hoje leva o nome de Palácio Celso Galvão, da praça Dom Moura, calçou inúmeras ruas da cidade, fez galerias e, através de convênios com o Estado, construiu o Hospital Dom Moura e a Escola Henrique Dias. O Parque Ruber van der Linden, foi construído com terreno adquirido da Diocese, durante o seu governo. Iniciou a construção do Grande Hotel Monte Sinaí (hoje sede do 9º BPM)

 O grande garanhuense, nascido em 17 de abril de 1889, na Avenida Santo Antônio, 215, residiu na Rua Dr. José Mariano. Procedente de família política cujo pai foi subprefeito do município. Morreu em 1 de fevereiro de 1975.

 * Prof. José Cláudio Gonçalves de Lima – Historiador, Professor, Escritor, é Sócio fundador e foi o 1º presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns – IHGCG.

ANEXOS

     1ª sede do Município - Casa da Câmara Municipal de Garanhuns (1813/1904).  Atual esquina da Av. Santo Antônio com a R. Melo Peixoto. Foto cedida ao autor pelo Sr. Geraldo Calazans Vilar

                  

          2ª sede do Paço Municipal e Câmara de Vereadores de Garanhuns, 1905/1943. Esquina da Av. Santo Antônio com a Tva. Elias de Barros - Atual Ferreira Costa Center.

                                                   

P.S. O IHGCG realizou exposições homenageando o casal Dr. Celso e Sylvia Galvão, com mostra do mobiliário original do Palácio.

Parte do mobiliário do Palácio Celso Galvão - Exposição no IHGCG 2015

Links de matérias desse Blog relacionadas:

https://garanhunsinstituto.blogspot.com/2015/04/instituto-garanhuns-expoe-mobiliario-de.html

https://garanhunsinstituto.blogspot.com/2016/04/cedro-rosa-e-patrimonio-historico-de.html



sexta-feira, 5 de junho de 2026

Garanhuns, 05 de junho de 1980, houve uma explosão!

             Explosão das barracas no dia de Corpus Christi

Vereador Audálio Ramos Machado, Pecuarista Clóvis Monteiro, Delegado Romildo Moreira, Capitão Jesus (PMPE), Jaime Pinheiro, Governador Marco Maciel, Secretário Estadual Dr. José Tinoco, Prefeito Ivo TAmaral e o Sr. Manoel Pereira. Fonte: Acervo de Audálio Ramos M. Filho

Na quinta-feira, 5 de junho de 1980, dia de Corpus Christi, o comércio de Garanhuns se preparava para iniciar um dia típico, pois ainda não era feriado no município. Logo no início da manhã uma grande explosão sacudiu a Av. Santo Antônio, eixo principal do comércio local, o estrondo foi ouvido em quase toda a cidade.

Uma barraca de fogos, instalada em frente ao Banco do Brasil, acima do Largo do Colunata, explodiu, levando a uma reação em cadeia pois havia outra barraca ao lado. A tragédia causou forte destruição em prédios comerciais e bancários situados nas imediações. Especialmente a loja Veneza Americana (de Silvio Apolinário) e o Banco do Brasil, foram bastante danificados. 

                            Fonte: Blog do Roberto Almeida

A primeira barraca pertencia a Protásio  Gomes Azevedo (Tarzinho), a segunda pertencia a José Alves  da Silva  Filho (Zé Barroso). O efeito da explosão causou danos em um raio de quase seiscentos metros. Mas o mais lamentável foi a morte de quatro pessoas, além dos trinta e oito feridos, removidos para o Hospital Regional Dom Moura.

Fonte: Blog do Carlos Eugênio

O então prefeito Ivo Tinô do Amaral acionou autoridades estaduais, o 71º BI do Exército, havendo o deslocamento de bombeiros de Caruaru. A unidade da 4ª Cia da PMPE aqui sediada, comandada pelo Capitão Jesus providenciou o isolamento da área afetada para evitar saques e garantir a ação de resgate das vítimas. No início da tarde chegou a Garanhuns o Governador Marco Antônio Maciel, acompanhado de vários secretários de governo, entre eles Dr. José Tinoco Machado de Albuquerque e Dr. Djalma Oliveira.

Ex-prefeito Amílcar Valença, Governador Marco Maciel, Sec. de saúde Djalma Oliveira, Vereador Audálio Ramos Machado e pecuarista Clóvis Monteiro.
Fonte: Acervo de Audálio Ramos M. Filho

Vereadores, funcionários municipais, Celpe e vários outros órgãos, acorreram ao local do fatídico acidente para colaborarem. A Rádio Difusora prestou relevante serviço de comunicação acalmando a população em geral, diante de boatos espalhados. 

Fonte: Blog do Edney 

Pessoas que subiam a rua D. José imaginaram ser o "fim do mundo", como muitos relataram. Episódios de maridos que se confessaram às suas esposas e perdões mútuos se multiplicaram, até que a calmaria chegou e se percebeu que a grande explosão tinha sido restrita ao centro comercial.

O Diário de Pernambuco informou que o prejuízo causado pela destruição foi calculado em mais de 35 milhões de cruzeiros. Havendo destruição parcial também nas agências da Caixa Econômica Federal, Bradesco e em torno de vinte lojas, bem como o prédio onde funcionava a Associação Comercial e a Câmara Municipal. O chefe da Delegacia Regional da Polícia Civil, Bel. Romildo Alves Moreira, chegou a cogitar, aos jornalistas enviados pelo DP que poderia ter sido um ato terrorista, o que foi descartado com a confirmação do curto circuito na 1ª barraca explodida.


                                        Fonte: Instagram do Diário de Pernambuco

Referências:

https://www.blogdocarloseugenio.com.br/num-dia-de-corpus-christi-ha-46-anos-explosao-de-barracas-de-fogos-marcava-uma-das-maiores-tragedias-em-garanhuns/

https://robertoalmeidacsc.blogspot.com/2013/06/o-dia-em-que-garanhuns-explodiu.html

https://www.blogdoedney.com.br/2019/06/ha-39-anos-o-dia-que-garanhuns-explodiu.html




sexta-feira, 1 de agosto de 2025

IHGCG PROMOVERÁ PALESTRAS DO CICLO "HISTÓRIAS DE GARANHUNS"

      
FOTO: DIA DA VITÓRIA EM GARANHUNS - 8/5/1945 - DOMÍNIO PÚBLICO

 
           Tendo como referências acontecimentos marcantes na história do Município, o Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns - IHGCG, promoverá neste segundo semestre, palestras proferidas por sócios, visando revisitar com a pesquisa historiográfica e memorial, fatos que repercutiram e habitam o imaginário dos garanhuenses, ou são desconhecidos pelas gerações mais jovens. Ainda em setembro, o sócio-fundador e pesquisador Maxwell Bento irá explanar sobre uma data específica: o dia 08 de maio de 1945. 

            O tema da palestra será: "80 anos do Dia da Vitória: Memórias dos Pracinhas de Garanhuns". Evocando o feliz dia do fim da segunda guerra mundial e a efusiva comemoração em Garanhuns, talvez uma das mais expressivas no Nordeste brasileiro. A partir de pesquisa em jornais e documentos da época, Maxwell Bento chegou a personagens icônicos presentes naquele ato: os Pracinhas, brasileiros que foram à Itália lutar pela libertação do mundo democrático. 

             Será revelado que ainda temos cidadãos que estavam naquela festa pela conclusão do fatídico conflito entre os Aliados e o Eixo. Inclusive soldados da Força Expedicionária Brasileira. Recentemente Maxwell apresentou sua pesquisa em evento da Câmara Municipal e tem tido contato com militares do 71ºBI, unidade do Exército Brasileito em Garanhuns, sucedâneo do 21º BC, unidade aqui localizada e que foi uma das fornecedoras de soldados (pracinhas) para representarem o Brasil nos campos de batalha europeus, notadamente Montese e Montecassino na Itália.

         FOTO: MAXWELL BENTO AO LADO DA VICE-PRESIDENTE DO IHGCG IVONETE XAVIER

             Com o tema "A Explosão das Barracas de Fogos: 45 anos da Tragédia que Abalou Garanhuns", o Professor José Claúdio Gonçalves, também sócio fundador do IHGCG e seu primeiro presidente, irá discorrer sobre o dia 05 de junho de 1980, quando o Largo do Colunata, próximo ao Marco Zero de Garanhuns, foi fortemente abalado por uma explosão, deixando vítimas e grande prejuízo à infraestrutura pública e das lojas vizinhas. 





















VISITA DO GOVERNADOR MARCO MACIEL E AUTORIDADES CIVIS E MILITARES AO LOCAL DA EXPLOSÃO (ACERVO DO IHGCG)

     
       
             Prof. Cláudio, conhecido por suas pesquisas instigantes e importantes, como sobre a Hecatombe de 1917, mergulhou em documentos, jornais da época, relatórios e conseguiu entrevistar vários personagens que participaram direta ou indiretamente do acontecimento. Montando o quebra-cabeça das versões e mitos, ele apresentará de maneira inédita, informações com base histórica que fornecerão material para estudantes e pesquisadores da história contemporânea da "Terra de Simoa Gomes. 

         Esta palestra será em outubro. Para todas as duas haverá divulgação ampla, para que todos os interessados possam participar. Ressaltando que serão abertas ao público, de forma gratuita. O IHGCG sempre busca oferecer temas de repercussão, e que contribuam para formação cultural do bicentenário município agrestino, a "Suiça Pernmabucana", cantada por Onildo Almeida e Luiz Gonzaga.

FOTO: PROFESSOR JOSÉ CLÁUDIO GONÇALVES






domingo, 1 de junho de 2025

EXPOSIÇÃO "LUÍS JARDIM, MESTRE DO TRAÇO E DA PROSA", O RESGATE DA OBRA JARDINIANA

A partir dessa segunda-feira, 02 de junho, Garanhuns recebe a Exposição "Luís Jardim, Mestre do Traço e da Prosa", realização do Instituto Histórico Geográfico e Cultural de Garanhuns - IHGCG, através da RIHPE-Rede de Institutos Históricos de Pernambuco, IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,do Ministério da Cultura. Conta com o apoio da UFAPE / Casa UFAPE e GRE - Gerência de Educação do Agreste Meridional da SEDUC-PE. A mostra sobre a obra e vida do escritor garanhuense será na CASA UFAPE - na rua Pe. Agobar Valença, 65 - Heliópolis, bem pertinho do Relógio de Flores e da GRE-Agreste Meridional. De 2 a 11 de junho, das 9 às 16 horas. Com apresentações culturais todos os dias, e a presença de monitores de Libras nas apresentações. No dia 6/6 às 10h haverá um momento de visita do IPHAN, MInC, RIHPE, GRE e outras entidades e autoridades; para o registro do importante evento realizado pelo IHGCG.
A advogada garanhuense, Maria Clara Machado registrou em sua rede social sua expectativa com a mostra sobre Luís Jardim: "Luís Jardim é um grande escritor e artista do nosso País e nasceu aqui em Garanhuns. Venceu prêmios nacionais e além de escrever seus livros, era também ilustrador - ilustrou capas para Guimarães Rosa e Raquel de Queirós, por exemplo. Ele não é valorizado como merece, na nossa cultura municipal. Mas o Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns, com o apoio do IPHAN e Ministério da Cultura, vai promover essa exposição sobre esse filho da nossa terra!!! Vamos prestigiar 😻😻"

sexta-feira, 16 de maio de 2025

'FORTALECER CULTURAL" ACONTECERÁ EM GARANHUNS

"FORTALECER CULTURAL"

    O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) realizará a segunda etapa  do projeto Fortalecer CulturalO seminário reunirá representantes de órgãos públicos e da sociedade civil para debater a valorização do nosso patrimônio cultural e fazer a escuta desse importante segmento social.


    Também são objetivos do encontro, a implementação de políticas culturais nos Municípios. O presidente da RIHPE, Harlan Gadelha informa que "o Projeto é uma comunhão de esforços do Ministério Público do Estado de Pernambuco(MPPE) - Núcleo do Patrimônio Cultural, do Ministério da Cultura(MinC), da Secretaria Estadual de Cultura(Secult-PE), da Rede de Institutos Históricos de Pernambuco(RIHPE), do Iphan, e da Fundarpe. 


    Visando a abrangência do Agreste Meridional, o FORTALECER CULTURAL - etapa Garanhuns, acontecerá no dia 23 de maio (sexta-feira), das 8h às 16h00, na Promotoria de Justiça de Garanhuns, na Rua Joaquim Távora, 393 - Heliópolis.


    O Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns - IHGCG participou da etapa em Vitória do Santo Antão, e agora colabora na divulgação desse importante debate sobre a cultura no município e na região, como explicou o presidente do IHGCG, Audálio Ramos Filho. 


    As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo link abaixo.


https://forms.gle/Mcapoxjd7qKRTB4L9


A programação será a seguinte:




quinta-feira, 24 de abril de 2025

Francisco: O Papa amigo.

 

                            Francisco: O Papa amigo

    A Igreja do século XVI já não era a mesma da Idade Média. O catolicismo passou a dividir espaço com outras religiões, e, na Europa, crescia o número de pessoas indiferentes à religião e ao transcendental. O Papa passou a falar ao mundo — de modo especial aos católicos — que, cabe ressaltar, não o escutam de maneira unânime. É diante dessa realidade que, em 2013, o mundo conhece o novo Papa da Igreja Católica: latino-americano, argentino. Em sua primeira fala, ele brinca: “Parece que os cardeais foram buscar o novo pontífice no fim do mundo.” Quanto ao nome, escolhe “Francisco”.
    É interessante escrever sobre o Papa Francisco. Tenho a leve impressão de que o conheço, como um amigo que, tantas vezes, trouxe a muitos o sonho de uma nova esperança. A morte de Francisco é um tempo oportuno para revisitar suas contribuições a esta sociedade tão carente de amor, paz, tolerância e fé. As palavras carregam um peso simbólico, e o nome, por sua vez, traz uma identidade. Cada escolha não é despretensiosa.
    São Francisco de Assis, santo da Igreja Católica do século XIII, teve sua experiência com Cristo iniciada no encontro com um leproso. O beijo que Francisco deu naquele homem chagado mexeu profundamente com suas concepções. Ele, que sentia repulsa, viu-se agora beijando um leproso. Sua vida então tomou outro rumo: o Poverello de Assis assumiu a tarefa de viver um novo modelo de Igreja, mais próximo daquele proposto por Cristo.
    No dia 13 de março de 2013, o cardeal Bergoglio foi eleito Papa. Ao nomear-se “Francisco”, fez referência explícita ao exemplo que guiaria seu pontificado. Como portar-se diante dos escândalos financeiros, da pedofilia, do carreirismo e de tantas outras chagas que ferem a Igreja? O Papa posicionou-se com firmeza na busca da justiça. Reforçava que, na Igreja, não existem “promoções”. Entender a vida cristã dessa maneira é um erro crasso, que afeta as comunidades e promove disputas por poder.
    O Papa Francisco, para além de sua notável capacidade de diálogo, possuía uma sensibilidade única. Destaco a maneira como nos convida a olhar para as outras religiões: não como inimigas, mas como caminhos distintos para se chegar a Deus. Gosto dessa ponderação. É como escrevia o grande teólogo Karl Rahner: são os “cristãos anônimos”. Existem sementes do Verbo, como recordava o Concílio Vaticano II a partir das concepções de Justino Mártir.
    Em sua sabedoria, Francisco foi o Papa dos novos tempos. Deu atenção às causas urgentes, convidou o mundo a refletir sobre a imigração, as guerras, os embargos econômicos. Questionou aquilo que definiu como “a globalização da indiferença”. Apresentou um novo caminho para a educação por meio de um Pacto Educativo Global, centrando o processo na dignidade da pessoa humana e formando homens para o diálogo — atitude tão necessária nestes tempos.

    Na Evangelii Gaudium, Francisco propôs uma renovação pastoral na Igreja, para que estivesse “em saída”, ancorada na alegria do encontro com Cristo. Reforçou a opção preferencial pelos pobres e não teve medo de afirmar que o modelo econômico vigente mata, pois promove a exclusão e a desigualdade social. Sua máxima era a humanização, frente à desumanização e à valorização da cultura do descarte. 
    Na Laudato Si (“Louvado Sejas”) e Fratelli Tutti (“Todos Irmãos”), Francisco honrou o Pobrezinho de Assis, trazendo à humanidade a urgência do cuidado com a casa comum. Assim, retomou um conceito já presente em São Francisco: a ecologia integral — a compreensão de que “tudo está interligado”, reconhecendo que não se pode defender o meio ambiente sem cuidar do ser humano, especialmente dos pobres.
    O Papa Francisco sempre teve a sutileza de reforçar que todos nós participamos de uma fraternidade universal: irmãos e irmãs, com o dom da diferença. Dialogou com todos, acolheu sempre. As chamadas “minorias abraâmicas”, já descritas por Dom Hélder Câmara, tiveram espaço durante seu pontificado. Enquanto muitos cristãos segregam as pessoas LGBTQIAPN+, o Papa perguntava: “Quem sou eu para julgar?” Nosso querido Francisco é tão humano que, sem medo de errar, digo: há algo de divino nisso.
O mundo está um pouco mais triste, porque nos deixa um Papa humano, amigo, corajoso. Este é Francisco.
 

Por Marcos Moisés da Silva Duca
Graduado em História pela Universidade de Pernambuco Campus Garanhuns. Foi bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/UPE), com atuação voltada à formação docente e ao ensino de História. É sócio efetivo do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns. Desenvolve pesquisas nas áreas de História das Religiões e Teologia, com ênfase nas relações entre religiosidade, cultura e poder.