sexta-feira, 12 de junho de 2026

TREZENA DE SANTO ANTÔNIO EM GARANHUNS - 240 ANOS

 TREZENA DE SANTO ANTÔNIO EM GARANHUNS, UM PATRIMÔNIO CULTURAL E RELIGIOSO

CARD DE DIVULGAÇÃO DA TREZENA DE SANTO ANTÔNIO EM 2026

        Completando em 2026, 240 anos de realização (a partir da data da Freguesia: 1786), a TREZENA DE SANTO ANTÔNIO, se constitui sem dúvida em um patrimônio religioso e cultural da "Terra de Simoa Gomes". Nesse sentido tramita no Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural - CEPPC-PE, processo de registro desse tombamento a nível estadual, provocado em 2016 pela Câmara Municipal de Garanhuns, através do vereador Audálio Ramos Filho, e com parecer técnico do Instituto Histórico Geográfico e Cultural de Garanhuns - IHGCG.

    A nível municipal, desde 2023, a Trezena/Festa foi considerada Patrimônio Cultural e Imaterial do município, através de Projeto do vereador Erivan Pita. Ainda recentemente, a Diocese de Garanhuns e Paróquia de Santo Antônio estão realizando importante restauração da Catedral, inaugurada em 1859. Com início com D. Paulo Jackson, o novo Bispo, D. Agnaldo Timóteo, deu prosseguimento com a coordenação do Pároco da Catedral, Pe. Josenildo Bizerra. Há poucos dias foi instalada no topo a nova estátua de Santo Antônio.

        O IHGCG compartilhará, a seguir, o Parecer Técnico encaminhado em 2021 ao CEPPC-PE, e que demonstra a importância da tradicional festa do Padroeiro de Garanhuns.

FESTA DE SANTO ANTÔNIO EM (SANTO ANTÔNIO DOS) GARANHUNS, CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS

         O povoamento do interior nordestino no século XVI se deu principalmente através do Rio São Francisco, por ele se embrenharam os portugueses, fundando as primeiras povoações, como Penedo – AL. Missionários franciscanos e de outras ordens, acompanhavam, iniciando o processo de evangelização de vários grupos étnicos indígenas.

        Com a invasão holandesa (1630-1654), houve um avanço paralelo a partir de Vitória de Santo Antão – PE, e no sentido contrário, da Bahia para os sertões de Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Nesse momento também, se formavam os quilombos, aldeamentos formados por escravos fugidos, de várias etnias africanas, que tiveram na Serra da Barriga, na atual União dos Palmares – AL, o seu principal reduto, com raio de ação que chegava até a área atual do Agreste Meridional de Pernambuco, com quilombos registrados no Magano, Quilombo, Castainho e Curica; nas áreas atuais dos municípios de Garanhuns e Brejão.

        No final do século XVII, após a queda da Confederação dos Palmares, toda essa extensa região estava sob a jurisdição da Capitania do Ararobá, com área de 30 mil km², antes disso todo interior pernambucano era parte integrante da Freguesia de Nossa Senhora da Luz, jurisdição de Olinda. Com data inicial em 1662, a Capitania do Ararobá tem a presença da Congregação de São Filipe Néri (Oratorianos), que fundam em Cimbres, atualmente distrito de Pesqueira – PE, uma Missão para dar assistência aos índios Xucurus.

        No início do século XVIII, a Capitania já está sediada em Santo Antônio do Ararobá (Garanhuns), pois com a destruição dos quilombos palmarinos, inicia-se rápida povoação da área, com currais de gado, e a divisão da região em várias sesmarias. O núcleo urbano é iniciado onde hoje está a Praça Irmãos Miranda, tendo no início pouco mais de doze residências.

        Quanto a dúvida de qual ano seria efetivamente a criação da Paróquia de Santo Antônio, hoje Paróquia da Catedral de Santo Antônio, o historiador Alfredo Leite Cavalcanti afirma ser de 1699 a Freguesia originária, em 1786 somente mudou-se a nomenclatura, ele corrobora essa certeza citando:

Com a criação do Julgado, que recebeu o nome de Capitania do Ararobá, e da Freguesia de Santo Antônio, sob a forma de Curato, em 1699, para aqui se removeram as autoridades, inclusive o Cura, também Vigário da Vara...” (História de Garanhuns, p. 189)

A data provável da construção da primeira Igreja seria 1716, segundo João de Deus de Oliveira Dias (Terra dos Garanhuns, 1954). Portanto a presença institucional permanente da Igreja Católica em Garanhuns, tem ao menos 322 anos, que corresponde a hoje Paróquia da Catedral de Santo Antônio.

Em 1742 é reconstruída em alvenaria a primitiva Matriz de Santo Antônio do Ararobá, no local situado na atual Av. Santo Antônio, em frente ao Banco do Brasil. Em 15 de maio de 1756, Simoa Gomes de Azevedo doa à Confraria das Almas da Matriz dos Garanhuns, uma quadra de terra, área que abrangia grande parte do atual centro comercial de Garanhuns; este patrimônio foi incorporado ao patrimônio nacional (processo judicial de sequestro) em 1855.

        A escritura de doação de parte da Fazenda do Garcia à Confraria das Almas, confirma que já em 1756 já era freguesia, pois a doação refere-se explicitamente a Igreja Matriz, e doa-se a uma irmandade (confraria) peculiar a uma paróquia.

        Com o crescimento populacional e criação de novos núcleos urbanos, surgem capelas: São Félix – Buíque (1754); “Jezus, Maria e Joseph”, no sítio Papacassa”, atual Bom Conselho, doação do Capitão Mathias da Costa Soares em 12/01/1782. Nossa Senhora do Ó – Altinho (1806); Nossa Senhora da Conceição – Quipapá (1829); Bom Jesus dos Pobres – São Bento do Una (1839). Alfredo Leite Cavalcanti (História de Garanhuns, p.165), destaca a Capela de Nossa Senhora do Ó em Altinho, considerada a mais “movimentada entre todas as outras filiais da Matriz de Santo Antônio de Garanhuns”.

        Em 10 de março de 1811, o Príncipe Regente, futuro D. João VI, cria por Carta Régia, o Município de Garanhuns, com uma área estimada em 13 mil km², área essa que equivalia a abrangência pastoral da Freguesia. Na sede, a povoação já contava com quase cem moradias, tendo a Matriz como centro referencial. Nesse mesmo ano, com recursos doados em testamento por Leonardo Bezerra Cavalcanti, a Matriz é reconstruída.

       Anos antes, em 1762 exatamente, com a criação da Vila de Cimbres, desmembrada do Julgado de Garanhuns, a Freguesia de Santo Antônio do Ararobá passa a ser Santo Antônio de Garanhuns. Em 1786 a denominação passa a ser de Paróquia de Santo Antônio, data que se tem como referência para a existência contínua da Festa de Santo Antônio, como é comemorado desde então.

        O território da Capitania do Ararobá continua pertencendo em sua maior parte a Freguesia de Santo Antônio, apenas em 1792 há uma modificação com a criação da Freguesia de São Félix de Buíque. Outros desmembramentos foram: criação da Freguesia de Nossa Senhora do Ó, em Altinho (1837/38), saindo da área pastoral de Garanhuns os atuais municípios de Cupira, Lagoa dos Gatos, Agrestina, e parte de Caruaru, São Caetano e Catende.

        Dos municípios que compõem ainda a Diocese de Garanhuns, temos a instalação em 1848 da Freguesia de Jesus, Maria e José do Capacaça (Bom Conselho); em 10 de maio de 1853 (Lei Provincial 309/1853), Bom Jesus dos Pobres (São Bento do Una); em 27 de maio de 1879 (Lei Provincial 1423/1879), Freguesia de Nossa Senhora da Conceição (Correntes).

        Antes dessas temos a criação em 1766 da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Panema (Águas Belas), tendo o Pe. José Lopes da Cunha sido o primeiro vigário. Em 1787, D. Maria I homologou a criação da Freguesia de N.S. da Conceição de Águas Belas.

        Em Garanhuns, em 1855, o Vigário Pe. Nemésio de São João Gualberto começa a construir a “nova” Matriz, concluída a obra em 1859, já no local onde hoje está a Catedral de Santo Antônio. Recebendo reformas em 1872 (Frei Caetano de Messina), em 1906 (Pe. Manoel Pires de Carvalho e Juiz Dr. Joaquim Maurício Wanderley).  A reforma iniciou-se em 1907 e foi concluída em 1909, inclusive com a colocação da estátua de Santo Antônio encimando o campanário da Matriz, agora Catedral.

MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO - 1893 (AO LADO ANTIGO CEMITÉRIO)

        A imagem foi esculpida pelo artesão João Bina, vindo de Quipapá. Quanto a antiga Matriz, que era no atual Largo do Colunata, foi designada como Capela de Nossa Senhora da Conceição, até 1891, quando é demolida e tem seus tijolos aproveitados para uso no novo cemitério público.

INTERIOR DA CATEDRAL DE SANTO ANTÔNIO (2026)

A Criação da Diocese

     Logo após a Hecatombe de 1917, foram organizadas comissões para criação da Diocese de Garanhuns; iniciativa do Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra (O Bispado de Olinda passa a ser Arcebispado em 1901, e em 1918, pela Bula “Cum urbs Recife” do Papa Bento XV, passou a denominar-se Arquidiocese de Olinda e Recife). Importante ressaltar o apoio do pároco local, Cônego Carlos Pereira Benigno de Lyra.

        A Bula Apostólica, de 02 de agosto de 1918, do Papa Bento XV, cria a Diocese de Garanhuns, sob a semente profícua da Freguesia de Santo Antônio do Ararobá. Foi constituída a Diocese com os municípios de Garanhuns (sede), Águas Belas, Bom Conselho, Correntes, São Bento do Una, Palmeira (Palmeirina), Panelas, Lagoa dos Gatos, Belém de Maria, Catende, Palmares, Água Preta e Barreiros.

REGISTRO FOTOGRÁFICO DA IMPORTÂNCIA DA MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO NO ESTADO DE PERNAMBUCO

DIÁRIO DE PERNAMBUCO – EDIÇÃO DE 8 DE DEZEMBRO DE 1917 - CAPA

A Comissão apresentou o patrimônio da recém-criada Diocese: um prédio na rua principal, doado pelo Cônego Benigno Lyra, no valor de dez contos de réis (com todo o mobiliário); um saldo em conta bancário no Recife com quarenta e seis contos e trezentos mil réis. Foram gastos três contos e setecentos mil réis “para as despesas da criação do bispado, inclusive a bulla” (Álbum de Garanhuns 1922/23, p.126).

Outra bula papal do Papa Bento XV, de 03 de julho de 1919, designa como primeiro bispo, o Cônego João Tavares de Moura, que recebeu a sagração episcopal em 07 de setembro de 1919, na Catedral da Sé em Olinda, na mesma ocasião foi também sagrado bispo, D. Ricardo Vilella (1º Bispo de Nazaré da Mata – PE). O Bispo sagrante foi o Arcebispo D. Sebastião Leme.

Em todo esse percurso cronológico, se acentuava, ano após ano, a importância da devoção ao Padroeiro de Garanhuns, com repercussão em toda área da abrangência, desde a Capitania do Ororubá, até o atual município de Garanhuns, cidade polo do Agreste Meridional de Pernambuco, compreendendo em torno de um milhão de habitantes.

CARTÃO POSTAL DA MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO PROVAVELMENTE DE 1919

                                          Linha Cronológica

          1699 – Criada a Capitania do Ararobá e a Freguesia (Curato) de Santo Antônio do Ararobá, com sede em Garanhuns.

         1716 – Provável data da construção da Matriz de Santo Antônio do Ararobá.

1742 – Reconstrução em alvenaria, da Matriz de Santo Antônio do Ararobá, situada no atual Largo do Colunata, voltada para o poente.

1756 – Simoa Gomes de Azevedo doa a área onde está a Matriz e mais uma quadra de terras ao redor dela, para a Confraria das Almas. Em 1855 seria sequestrada para o patrimônio nacional.

1762 – A Freguesia de Santo Antônio do Ararobá passa ser denominada Santo Antônio de Garanhuns.

1786 – A Freguesia passa a ser denominada Paróquia de Santo Antônio

         1800 – A jurisdição da Freguesia/Paróquia passa de Curato para Vicariato.

1811 – O Príncipe Regente D. João cria o município de Garanhuns, por Carta Régia. Reconstrução da Matriz, com donativos de Leonardo Bezerra Cavalcanti.

1855/1859 – Construção da nova Matriz de Santo Antônio, atual Catedral.

1872 – Reforma da Matriz, tendo o abnegado trabalho do missionário capuchinho Frei Caetano de Messina.

1906/1909 – Nova reforma da Matriz de Santo Antônio, tendo à frente o Pe. Manoel Pires de Carvalho e o Juiz Dr. Joaquim Maurício Wanderley.

          1918 – O Papa Bento XV cria a Diocese de Garanhuns.

1919 – Nomeação e posse do primeiro Bispo de Garanhuns: D. João Tavares de Moura.

                 Matriz: Curas, Vigários, Párocos, antes da criação da Diocese

                                             CURATO

1699 - 1725 – Pe. Pedro Tavares da Silva Sarmento.

1726 - 1754 – Pe. Manuel de Araújo Cavalcanti.

1755 - 1770 – Pe. Francisco Ferreira da Silva

1771 – 1775 – Pe. Gonçalo Pereira Ribeiro

1776 -             Pe. João Alves Pimentel

1777 – 1780 - Pe. João Saraiva de Araújo

1781 – 1782 - Pe. Manoel do Espírito Santo Saraiva

1783 – 1785 - Pe. Manoel de Assunção

1786 – 1791 - Pe. José Lopes da Cunha e Pe. Fabiano da Costa Pereira

1792 – 1800 - Pe. João da Silva Fonseca

                             VICARIATO

1800 - 1816 – Pe. João da Silva Fonseca.

1817 - 1836 – Pe. Agostinho de Godoy Vasconcelos e Pe. José Enrique de Amorim.

1837 – 1873 - Pe. Nemésio de São João Gualberto

1874 – 1899 - Pe. Pedro Pacífico de Barros Bezerra.

1900 – 1907 - Pe. Manoel Pires de Carvalho

1908 – 1914 - Mons. Afonso Antero Pequeno.

1914 – 1919 - Cônego Benigno Lyra

TERMO DE POSSE DO PE. JOSÉ HENRIQUE D' AMORIM - 1828
FONTE: LIVRO DE BATISMO DA PARÓQUI DE SANTO ANTÔNIO DISPONÍVEL EM WWW.FAMILYSEARCH.COM


ATUAL NICHO COM IMAGEM DE SANTO ANTÔNIO

NOVA IMAGEM DE SANTO ANTÔNIO (2026)


REFERÊNCIAS

        BARBALHO, Nelson; Cronologia Pernambucana, Subsídios para a História         do Agreste e Sertão, Centro de Estudos de História Municipal, Recife, 1982.

CAVALCANTI, Alfredo Leite; História de Garanhuns, 2ª edição, Centro de Estudos de História Municipal -CEHM, Recife, 1997.

DIAS, João de Deus de Oliveira, A Terra dos Garanhuns, Garanhuns, 1954.

LIMA, José Cláudio Gonçalves de; A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns 1917. Livro Rápido Editora, Olinda, 2017.

LOPES, Fátima Martins; Em Nome da Liberdade – As vilas dos índios do Rio Grande do Norte sob o Diretório Pombalino no século XVIII – Tese (Doutorado) – UFPE, Recife, 2005.


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Palácio Celso Galvão completa 83 anos (Prof. Cláudio Gonçalves)

 

INAUGURAÇÃO DA PREFEITURA DE GARANHUNS

8 de junho de 1943 / 83 anos de história

*Prof. José Cláudio Gonçalves de Lima





         Grandes manifestações de júbilo e brilhante recepção fizeram a população de Garanhuns e dos municípios vizinhos viver um momento histórico no dia 8 de junho de 1943. Garanhuns amanheceu em clima de festa cívica de maior esplendor. Fora decretado feriado municipal e inúmeros garanhuenses e autoridades militares e politicas estiveram presentes para prestigiar a inauguração da nova sede da Prefeitura de Garanhuns, marcando uma página memorável nos anais desse município. Tudo se revestiu de excepcional brilhantismo em cumprimento a um grandioso programa, sob as luzes brilhantes de um tempo magnifico de sol.  O prefeito Dr. Celso Galvão tinha viajado a França e ficou deslumbrado com a arquitetura e o design de um edifício em art Déco que poderia copiá-lo para a construção de uma nova prefeitura de Garanhuns. Ao retornar a cidade, depois de muita luta conseguiu do Interventor Federal Agamenon Magalhães a doação do Grupo Escolar Estadual Nilo Peçanha, começando a demolição do antigo prédio no dia 9 de setembro de 1941, com início das obras no dia 14 do mesmo mês, sendo orçado um gasto estimado para a construção de CR$ 535.754,90, projetado pelo renomado arquiteto italiano Giácomo Palumbo e com participação de um dos grandes nomes personagens da nossa arquitetura, Leonilo Ferreira do Nascimento, o Mestre Nilo.


                                                                               

Fonte: Revista da Cidade janeiro 1928 (Blog Ibá Mendes)
Projeto do Prefeito Euclides Dourado


     

        Sob um crescente entusiasmo que empolgou a população, às 9 horas o Prefeito Celso Galvão, deu início a pomposa programação, com a inauguração do Campo de Aviação, com festiva recepção ao Ministro de Guerra, Eurico Gaspar Dutra; ao Interventor Federal Estadual, Agamenon Magalhães; ao Brigadeiro Eduardo Gomes, comandante da 2ª Zona Aérea; ao general Newton Cavalcante comandante da 7ª Região Militar; e ao inspetor do primeiro grupo de regiões, General Lúcio Esteves. Além da participação de numerosos populares, estavam presentes os senhores, José Bezerra de Almeida, M.J. Torres & Cia., Maciel Machado, Dr. Urbano Vitalino, Dr. Godofredo de Barros, Pedro Cavalcanti, Mauricio Amorim, Tranquilino Viana, Dr. Osias Ribeiro, Samuel Barbosa, Minervino Apolinário, Dr. Ruber van der Linden, Tomaz Maia, Dr. Geovani Lima, Antônio Brasileiro, Tomé Zaidan, Vitor Grossi, Antônio Tavares Correia, Fausto Lemos, entre outras figuras ilustres da cidade.  Após a inauguração, a comitiva seguiu para prestigiar a formatura no quartel provisório do 21º Batalhão de Caçadores do Exército, localizado na atual Vila Militar. Em seguida, se dirigiram para Avenida Santo Antônio, onde acompanharam o desfile dos ginásios, escolas e dos escoteiros, que marcharam da Praça Dom Pedro II em direção ao novo edifício da prefeitura.


             Início da Construção da nova Prefeitura de Garanhuns - 1941

 

      Ás 9h30, foi iniciado a solenidade de inauguração do Palácio da Prefeitura, em meio ao desfile dos estudantes. Terminada o evento de inauguração, às 10h30, foi inaugurado o Hospital D. Moura, e na sequência, por volta das 11h30, foi celebrada a inauguração do Grupo Escolar Henrique Dias.

 

        Logo após, às 12h30, foi oferecido um almoço as autoridades visitantes no Palácio municipal. Anda naquele tarde, foram feitas as inaugurações da Praça da Bandeira (atual Praça Mons. Adelmar da Mota Valença), do Jardim da Praça Dom Moura, e visita ao edifício em construção do quartel do 21º Batalhão de Caçadores do Exército, além do lançamento da Pedra Fundamental do Grande Hotel Monte Sinai.

 

       Por volta das 18 horas, realizou-se em frente ao Palácio da Prefeitura uma brilhante retreta, a cargo da Banda Municipal da Brigada, sob a regência do maestro José Lourenço da Silva, que mesmo após o encerramento da programação das festividades, continuou com seu conjunto instrumental e vocal fazendo apresentações durante três dias na cidade.

 

      Ás 19 horas, foi servido um banquete de 150 talheres ao Ministro da Guerra e o Interventor Federal, na sede do Sport Club de Garanhuns, posteriormente a sede do Clube IAC.  Para encerrar em grande estilo, a pomposa programação e as notáveis inaugurações, às 22 horas foi realizado um baile de comemoração na Associação Garanhuense de Atletismo (AGA).

 

        O Dr. Celso Galvão, recebeu vários telegramas com congratulações pelas inaugurações e melhoramentos realizados em Garanhuns, entres os telegramas enviados, o prefeito foi saudado pelo General Mascarenhas , Comandante da 2ª Região Militar de São Paulo; Coronel Dimas Menezes, Chefe Estado Maior 7ª Região Militar, do Recife; José Arnaldo, Coronel Comandante da Força Policial do Recife; Nelson Simas de Sousa, Capitão de Portos do Recife; Joseph Turton Junior, Presidente da Federação Industrias, Recife; Liberalino de Almeida, do Conselho Administrativo do Estado; Maria do Carmo Ramos Pinto Ribeiro, Diretora da Educação de Pernambuco e José Pinto Cavalcante, Diretor Regional dos Correios e Telégrafos.

 

          Inaugurada a prefeitura, o prefeito Celso Galvão solicitou a Câmara de Vereadores a abertura de créditos para a  compra de um relógio, o qual foi adquirido  no Rio de Janeiro na relojoaria Jaques Perret & Cia, com mostradores em losango, maquinário suíço-francês ; e mais sessenta mil cruzeiros concernentes a compra dos móveis para o edifício, gabinete, secretarias, departamentos, biblioteca, sala de curso de bordado e residência, visto que, prefeitos, governadores e presidentes residiam nos palácios municipais, estaduais e federais.

 

Todos os móveis de extrema beleza e modernidade do Palácio Municipal, foram construídos pelo servidor municipal, Manuel Ouro Preto com a ajuda do seu filho Arlindo Ouro Preto. Durante a construção da prefeitura, uma estronca de cedro rosa serviu como escora para apoiar a estrutura de construção, porém a árvore se desenvolveu no jardim do Palácio, e em 1982, o Cedro Rosa foi declarada Patrimônio Histórico de Garanhuns. O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), através de portaria Ministerial nº 9.229, de 25 de abril de 1975, tendo em vista o disposto no artigo 79 da Lei 94.771, de 15 de setembro de 1965 declarou a árvore imune de corte, considerando contravenção penal com pena de punição prevista da Lei 4 7712/65 (Código Florestal).



Palácio Municipal Celso Galvão e o Cedro Rosa


          Em homenagem ao Dr. Celso Galvão, que governou a cidade de Garanhuns em duas gestões, de 1937 a 1945 e de 1952 a 1955, contribuindo com o seu desenvolvimento e lutando pelas causas nobres da população, realizando grandes obras, como o Cristo Magano e outras tantas que marcaram suas administrações, em 16 de abril de 1975, em reconhecimento a sua dedicação ao município de Garanhuns, o prefeito Amílcar da Mota Valença, sancionou a Lei nº 1646 e a Câmara de Vereadores aprovou e o presidente da Câmara Antônio Adeildo Ferreira,  assinou que a partir daquela data o edifício da Prefeitura Municipal de Garanhuns seria denominado de “Palácio Municipal Dr. Celso Galvão”,  uma justa homenagem a quem fez história na sociedade e na política garanhuense.

 

DR. CELSO GALVÃO, DADOS BIOGRAFICOS


Dr. Celso Galvão - (colorizada por IA)

      O Dr. Celso Galvão, odontólogo, formado no Rio de Janeiro, casado com a pianista e professora Sylvia Galvão, foi um dos políticos de maior destaque em nossa região, conseguindo um fato inédito na época, sendo prefeito de Caruaru por duas vezes (1922/1925 e 1936/1937), e por duas vezes também prefeito de Garanhuns (1937/1945 e 1951/1955).

      A primeira administração por nomeação do então Interventor Federal Agamenon Magalhães e a segunda pelo voto direto.      Em Caruaru, também disputou apenas uma eleição, era filiado à Liga Cívica Caruaruense, em Garanhuns, representou a Aliança Democrática de Garanhuns, integrada pelo PTB, UDN e dissidência do PSD.

     Administrador público carismático, fez excelentes gestões nos dois períodos, sendo responsável pela construção do atual prédio da prefeitura que hoje leva o nome de Palácio Celso Galvão, da praça Dom Moura, calçou inúmeras ruas da cidade, fez galerias e, através de convênios com o Estado, construiu o Hospital Dom Moura e a Escola Henrique Dias. O Parque Ruber van der Linden, foi construído com terreno adquirido da Diocese, durante o seu governo. Iniciou a construção do Grande Hotel Monte Sinaí (hoje sede do 9º BPM)

 O grande garanhuense, nascido em 17 de abril de 1889, na Avenida Santo Antônio, 215, residiu na Rua Dr. José Mariano. Procedente de família política cujo pai foi subprefeito do município. Morreu em 1 de fevereiro de 1975.

 * Prof. José Cláudio Gonçalves de Lima – Historiador, Professor, Escritor, é Sócio fundador e foi o 1º presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns – IHGCG.

ANEXOS

     1ª sede do Município - Casa da Câmara Municipal de Garanhuns (1813/1904).  Atual esquina da Av. Santo Antônio com a R. Melo Peixoto. Foto cedida ao autor pelo Sr. Geraldo Calazans Vilar

                  

          2ª sede do Paço Municipal e Câmara de Vereadores de Garanhuns, 1905/1943. Esquina da Av. Santo Antônio com a Tva. Elias de Barros - Atual Ferreira Costa Center.

                                                   

P.S. O IHGCG realizou exposições homenageando o casal Dr. Celso e Sylvia Galvão, com mostra do mobiliário original do Palácio.

Parte do mobiliário do Palácio Celso Galvão - Exposição no IHGCG 2015

Links de matérias desse Blog relacionadas:

https://garanhunsinstituto.blogspot.com/2015/04/instituto-garanhuns-expoe-mobiliario-de.html

https://garanhunsinstituto.blogspot.com/2016/04/cedro-rosa-e-patrimonio-historico-de.html



sexta-feira, 5 de junho de 2026

Garanhuns, 05 de junho de 1980, houve uma explosão!

             Explosão das barracas no dia de Corpus Christi

Vereador Audálio Ramos Machado, Pecuarista Clóvis Monteiro, Delegado Romildo Moreira, Capitão Jesus (PMPE), Jaime Pinheiro, Governador Marco Maciel, Secretário Estadual Dr. José Tinoco, Prefeito Ivo TAmaral e o Sr. Manoel Pereira. Fonte: Acervo de Audálio Ramos M. Filho

Na quinta-feira, 5 de junho de 1980, dia de Corpus Christi, o comércio de Garanhuns se preparava para iniciar um dia típico, pois ainda não era feriado no município. Logo no início da manhã uma grande explosão sacudiu a Av. Santo Antônio, eixo principal do comércio local, o estrondo foi ouvido em quase toda a cidade.

Uma barraca de fogos, instalada em frente ao Banco do Brasil, acima do Largo do Colunata, explodiu, levando a uma reação em cadeia pois havia outra barraca ao lado. A tragédia causou forte destruição em prédios comerciais e bancários situados nas imediações. Especialmente a loja Veneza Americana (de Silvio Apolinário) e o Banco do Brasil, foram bastante danificados. 

                            Fonte: Blog do Roberto Almeida

A primeira barraca pertencia a Protásio  Gomes Azevedo (Tarzinho), a segunda pertencia a José Alves  da Silva  Filho (Zé Barroso). O efeito da explosão causou danos em um raio de quase seiscentos metros. Mas o mais lamentável foi a morte de quatro pessoas, além dos trinta e oito feridos, removidos para o Hospital Regional Dom Moura.

Fonte: Blog do Carlos Eugênio

O então prefeito Ivo Tinô do Amaral acionou autoridades estaduais, o 71º BI do Exército, havendo o deslocamento de bombeiros de Caruaru. A unidade da 4ª Cia da PMPE aqui sediada, comandada pelo Capitão Jesus providenciou o isolamento da área afetada para evitar saques e garantir a ação de resgate das vítimas. No início da tarde chegou a Garanhuns o Governador Marco Antônio Maciel, acompanhado de vários secretários de governo, entre eles Dr. José Tinoco Machado de Albuquerque e Dr. Djalma Oliveira.

Ex-prefeito Amílcar Valença, Governador Marco Maciel, Sec. de saúde Djalma Oliveira, Vereador Audálio Ramos Machado e pecuarista Clóvis Monteiro.
Fonte: Acervo de Audálio Ramos M. Filho

Vereadores, funcionários municipais, Celpe e vários outros órgãos, acorreram ao local do fatídico acidente para colaborarem. A Rádio Difusora prestou relevante serviço de comunicação acalmando a população em geral, diante de boatos espalhados. 

Fonte: Blog do Edney 

Pessoas que subiam a rua D. José imaginaram ser o "fim do mundo", como muitos relataram. Episódios de maridos que se confessaram às suas esposas e perdões mútuos se multiplicaram, até que a calmaria chegou e se percebeu que a grande explosão tinha sido restrita ao centro comercial.

O Diário de Pernambuco informou que o prejuízo causado pela destruição foi calculado em mais de 35 milhões de cruzeiros. Havendo destruição parcial também nas agências da Caixa Econômica Federal, Bradesco e em torno de vinte lojas, bem como o prédio onde funcionava a Associação Comercial e a Câmara Municipal. O chefe da Delegacia Regional da Polícia Civil, Bel. Romildo Alves Moreira, chegou a cogitar, aos jornalistas enviados pelo DP que poderia ter sido um ato terrorista, o que foi descartado com a confirmação do curto circuito na 1ª barraca explodida.


                                        Fonte: Instagram do Diário de Pernambuco

Referências:

https://www.blogdocarloseugenio.com.br/num-dia-de-corpus-christi-ha-46-anos-explosao-de-barracas-de-fogos-marcava-uma-das-maiores-tragedias-em-garanhuns/

https://robertoalmeidacsc.blogspot.com/2013/06/o-dia-em-que-garanhuns-explodiu.html

https://www.blogdoedney.com.br/2019/06/ha-39-anos-o-dia-que-garanhuns-explodiu.html




sexta-feira, 1 de agosto de 2025

IHGCG PROMOVERÁ PALESTRAS DO CICLO "HISTÓRIAS DE GARANHUNS"

      
FOTO: DIA DA VITÓRIA EM GARANHUNS - 8/5/1945 - DOMÍNIO PÚBLICO

 
           Tendo como referências acontecimentos marcantes na história do Município, o Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns - IHGCG, promoverá neste segundo semestre, palestras proferidas por sócios, visando revisitar com a pesquisa historiográfica e memorial, fatos que repercutiram e habitam o imaginário dos garanhuenses, ou são desconhecidos pelas gerações mais jovens. Ainda em setembro, o sócio-fundador e pesquisador Maxwell Bento irá explanar sobre uma data específica: o dia 08 de maio de 1945. 

            O tema da palestra será: "80 anos do Dia da Vitória: Memórias dos Pracinhas de Garanhuns". Evocando o feliz dia do fim da segunda guerra mundial e a efusiva comemoração em Garanhuns, talvez uma das mais expressivas no Nordeste brasileiro. A partir de pesquisa em jornais e documentos da época, Maxwell Bento chegou a personagens icônicos presentes naquele ato: os Pracinhas, brasileiros que foram à Itália lutar pela libertação do mundo democrático. 

             Será revelado que ainda temos cidadãos que estavam naquela festa pela conclusão do fatídico conflito entre os Aliados e o Eixo. Inclusive soldados da Força Expedicionária Brasileira. Recentemente Maxwell apresentou sua pesquisa em evento da Câmara Municipal e tem tido contato com militares do 71ºBI, unidade do Exército Brasileito em Garanhuns, sucedâneo do 21º BC, unidade aqui localizada e que foi uma das fornecedoras de soldados (pracinhas) para representarem o Brasil nos campos de batalha europeus, notadamente Montese e Montecassino na Itália.

         FOTO: MAXWELL BENTO AO LADO DA VICE-PRESIDENTE DO IHGCG IVONETE XAVIER

             Com o tema "A Explosão das Barracas de Fogos: 45 anos da Tragédia que Abalou Garanhuns", o Professor José Claúdio Gonçalves, também sócio fundador do IHGCG e seu primeiro presidente, irá discorrer sobre o dia 05 de junho de 1980, quando o Largo do Colunata, próximo ao Marco Zero de Garanhuns, foi fortemente abalado por uma explosão, deixando vítimas e grande prejuízo à infraestrutura pública e das lojas vizinhas. 





















VISITA DO GOVERNADOR MARCO MACIEL E AUTORIDADES CIVIS E MILITARES AO LOCAL DA EXPLOSÃO (ACERVO DO IHGCG)

     
       
             Prof. Cláudio, conhecido por suas pesquisas instigantes e importantes, como sobre a Hecatombe de 1917, mergulhou em documentos, jornais da época, relatórios e conseguiu entrevistar vários personagens que participaram direta ou indiretamente do acontecimento. Montando o quebra-cabeça das versões e mitos, ele apresentará de maneira inédita, informações com base histórica que fornecerão material para estudantes e pesquisadores da história contemporânea da "Terra de Simoa Gomes. 

         Esta palestra será em outubro. Para todas as duas haverá divulgação ampla, para que todos os interessados possam participar. Ressaltando que serão abertas ao público, de forma gratuita. O IHGCG sempre busca oferecer temas de repercussão, e que contribuam para formação cultural do bicentenário município agrestino, a "Suiça Pernmabucana", cantada por Onildo Almeida e Luiz Gonzaga.

FOTO: PROFESSOR JOSÉ CLÁUDIO GONÇALVES






domingo, 1 de junho de 2025

EXPOSIÇÃO "LUÍS JARDIM, MESTRE DO TRAÇO E DA PROSA", O RESGATE DA OBRA JARDINIANA

A partir dessa segunda-feira, 02 de junho, Garanhuns recebe a Exposição "Luís Jardim, Mestre do Traço e da Prosa", realização do Instituto Histórico Geográfico e Cultural de Garanhuns - IHGCG, através da RIHPE-Rede de Institutos Históricos de Pernambuco, IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,do Ministério da Cultura. Conta com o apoio da UFAPE / Casa UFAPE e GRE - Gerência de Educação do Agreste Meridional da SEDUC-PE. A mostra sobre a obra e vida do escritor garanhuense será na CASA UFAPE - na rua Pe. Agobar Valença, 65 - Heliópolis, bem pertinho do Relógio de Flores e da GRE-Agreste Meridional. De 2 a 11 de junho, das 9 às 16 horas. Com apresentações culturais todos os dias, e a presença de monitores de Libras nas apresentações. No dia 6/6 às 10h haverá um momento de visita do IPHAN, MInC, RIHPE, GRE e outras entidades e autoridades; para o registro do importante evento realizado pelo IHGCG.
A advogada garanhuense, Maria Clara Machado registrou em sua rede social sua expectativa com a mostra sobre Luís Jardim: "Luís Jardim é um grande escritor e artista do nosso País e nasceu aqui em Garanhuns. Venceu prêmios nacionais e além de escrever seus livros, era também ilustrador - ilustrou capas para Guimarães Rosa e Raquel de Queirós, por exemplo. Ele não é valorizado como merece, na nossa cultura municipal. Mas o Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns, com o apoio do IPHAN e Ministério da Cultura, vai promover essa exposição sobre esse filho da nossa terra!!! Vamos prestigiar 😻😻"