segunda-feira, 10 de março de 2014

10 DE MARÇO DE 1811 - DIA DE GARANHUNS


O Município de Garanhuns foi criado pela Carta Régia do Príncipe Regente, D. João, que em 10 de Março de 1811, atendendo ao Governador de Pernambuco, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, elevou a povoação de Garanhuns, em Vila, que nada mais era que um ente representativo de municipalidade na administração portuguesa, o que determina sua prerrogativa de importância em relação a qualquer outra.

 Em 09 de setembro de 1950, através da Resolução nº144, o Prefeito de Garanhuns Dr. Luiz da Silva Guerra, fixou o dia 10 de Março, por ser o dia da criação da Vila de Garanhuns.

       É importante destacar que a redação da Resolução nº 144 foi dada pela Emenda ao Substitutivo ao Projeto 03/1950, de autoria do Vereador Alfredo Leite Cavalcanti, nada mais nada menos que o principal historiador garanhuense, que propôs que se emendasse o substitutivo adicionando-se ao art. 1º com inclusão do dia 10 de Março por ser a data da criação da vila de Garanhuns por carta Régia de 10 de Março de 1811; ficando esta data denominada “Dia de Garanhuns”.

      A lei subsequente, a 1.275, de 19 de maio de 1967, estabelecia de novo somente quatro feriados religiosos, revogando quaisquer outros feriados que ora existissem. A Lei 1.377, de 17 de maio de 1968, manteve quatro feriados, mas tirou um religioso e colocou de novo o coerente 10 de Março. A Lei 1.457, de 9 de julho de 1970, trocava o feriado de São Pedro pelo de São João, mas manteve o 10 de Março.
 A partir daí a história foi deturpada, a legalidade também. A Lei nº 1.667, de 23 de julho de 1975, e a Lei nº 2.386, de 08 de junho de 1989, retiraram a data principal da história do município, 10 de Março, pela menos importante 04 de fevereiro, trocando a criação do Município, pela de elevação a cidade.

 O 04 de fevereiro de 1879 foi a elevação a cidade, um reconhecimento ao crescimento da área urbana, porém Garanhuns já existia de forma independente com prefeito, Câmara de Vereadores, Comarca e não teria cabimento Garanhuns ser mais jovem que outros municípios que fizeram parte de sua jurisprudência.

 Quanto a questão de ser feriado ou não, a legislação brasileira engessou a questão ao fixar em quatro feriados religiosos, incluído aí a Sexta-feira Santa, como os possíveis de serem estabelecidos nos municípios, sendo assim fica o a Sexta-feira Santa, o Dia de Corpus Christi, o dia do Padroeiro Santo Antônio e o dia de São João como os feriados municipais de Garanhuns, dessa forma o feriado de 04 de fevereiro estava ilegal, o que foi corrigido agora pela Câmara de Garanhuns.

domingo, 2 de março de 2014

SOBRE O CASARÃO DE SOUTO FILHO, SEDE DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE GARANHUNS - Por Igor Cardoso - membro fundador do IHGG



A pedido do confrade Marcílio Lins Reinaux, elaborei o seguinte memorial histórico do belo edifício que será reinaugurado, agora como sede do Instituto, no próximo dia 10 de março:

Em estilo eclético, foi projetado pelo arquiteto italiano Bruno Giorgio no ano de 1919, sob encomenda do ex-prefeito cel. José de Almeida Filho, próspero comerciante local e proprietário da Empresa de Melhoramentos de Garanhuns (EMG). 

O imóvel é bastante representativo do apogeu do Ciclo do Café na região: para se ter uma ideia desse período de prosperidade, todo o madeiramento para o assoalho e lambri foi importado do Pará. 

Pouco tempo depois, foi adquirido pelo político cel. Antônio da Silva Souto Filho, tornando-se uma espécie de "quartel general" do líder na cidade. Souto Filho passava horas no porão habitável, um espaço imenso, recebendo amigos e correligionários. Ali funcionava o seu gabinete, guarnecido com móveis de jacarandá e uma imensa mesa redonda. 

Assim, nos primeiros anos de sua História, o belo casarão da Praça Dom Moura, nº. 44, pertenceu a dois ex-Prefeitos*.

Pouco tempo depois da morte de Souto Filho, em 1939, o cel. José Custódio das Neves, cafeicultor e futuro Prefeito de Brejão, adquiriu o casarão e a família o conservou até 2004, quando a Prefeitura finalmente o comprou, na gestão do ex-Prefeito Luiz Carlos de Oliveira.

Na primeira reunião do Instituto Histórico com o atual Prefeito Izaías Régis, em 24 de janeiro de 2013, o Sodalício obteve do Edil o compromisso de proceder à cessão do imóvel para lhe servir de sede. 

Ainda no primeiro semestre de 2013, atendendo a projeto de iniciativa do Executivo, que o enviou já com o termo de cessão assinado, a Câmara de Vereadores autorizou o pleito nas sessões dos dias e 02 e 07 de maio.

No dia 10 de março de 2014, em evento em comemoração aos 203 anos do Município de Garanhuns e aos dois anos do Instituto, este reinaugurará a tradicional residência, então sob os seus cuidados. Em breve, o edifício deverá abrigar também o Museu Histórico de Garanhuns.

*Almeida Filho foi prefeito de 1919 a 1922; Souto Filho elegeu-se em 1929, mas não chegou a governar: renunciou em favor do cunhado e Vice, cel. Euclides Dourado, ex-Prefeito na gestão anterior.

Fonte: Blog do Ronaldo Cesar

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

INSTITUTO HISTÓRICO LANÇARÁ LIVRO RETRATANDO HISTÓRIA DE GARANHUNS


O Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns (IHGG) , lançará em breve o livro ¨Pingos de Garanhuns¨ que tem a autoria de Arlinda da Mota Valença, retratando parte da História de Garanhuns entre os anos de 1969 à 1983.



Edilson Nunes - membro do IHGG que está redigitando o livro
O material foi entregue pelo o sobrinho da escritora o Sr. Pedro Jorge Silvestre Valença aos membros do IHGG, Audálio Filho e ao Professor Vilela, o livro está em fase de redigitação e em breve será lançado e distribuído gratuitamente aos apaixonados pela história de Garanhuns.

Arlinda da Mota Valença, filha de Abílio Camilo Valença e Emilia da Mota Valença, nascida em 04 de fevereiro de 1903 em Pesqueira – Pernambuco, estudou no colégio Santa Sofia.

Faleceu: No dia 7 de julho de 1997. Sepultada no jazigo da Família Valença no Cemitério São Miguel.

Professora de Matemática, Geografia Geral e do Brasil, Mecanografia, Datilografia e Inglês. Trabalhou nos colégios Diocesano de Garanhuns, Santa Sofia Monsenhor Adelmar da Mota Valença e colégio Estadual Jerônimo Gueiros.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

TERRA DOS GARANHUNS: A FAMÍLIA DE SIMÔA GOMES DE AZEVEDO do Blog do Anchieta Barros

TERRA DOS GARANHUNS: A FAMÍLIA DE SIMÔA GOMES DE AZEVEDO



Em dezembro de 1693 nascia Simôa Gomes de Azevedo, filha do Cabo Miguel Coelho Gomes com uma índia cariri (Unhanhú).

Este fato era  muito comum no Brasil daquelas épocas, como país primitivo, em começo de colonização, repetiu-se com freqência, de norte a sul, mormente quando na fase de povoamento dos sertões longínquos faltaram quase por completo mulheres de raça branca, encontrando os pioneiros embrutecidos nas selvícolas perfeita correspondência ao seu desejo matrimonial.

A história não registrou o nome da indigena cariri, (Unhanhú), mãe de Simôa Gomes, embora conste da tradição o acontecimento social, pois é evidente que o fato se realizou à luz meridiana dos trópicos "na praia deserta do riacho Paratagi dos campos dos Unhanhú", onde Miguel Coelho Gomes fixou a sua residência, e tomou, mais tarde, o nome patronímico de "Brejo do Coelho".

O monte ao lado esquerdo do riacho afluente do rio Mundaú, tomou também, o nome de Monte do Miguel, e segundo Alfredo Leite Cavalcanti, pesquisador dos arquivos de Garanhuns, o local onde nasceu Simôa Gomes deve ter ficado no sopé do dito monte, hoje denominado Morro da Boa Vista.

No aprazível "Brejo do Coelho", atual "Brejo das Flores", ficou situado o primeiro curral de gado, núcleo provável daquela primeira fazenda de criação de Garanhuns, que se denominou "Garcia", em memória póstuma, talvez de Garcia d'Ávila, ou em homenagem provavelmente a Garcia Rodrigues Pais, filho do grande bandeirante Fernão Dias Pais Leme, o qual, de 1674 a 1681, varou os sertões de Minas e da Bahia, em procura das esmeraldas descobertas pelo pai e, deixando as cabeceiras do rio das Velhas, em 1960, tomou o rumo norte, atingindo do rio São Francisco, como fizeram antes os sertanistas Domingos Jorge Velho e Matias Cardoso de Almeida.

Simôa Gomes evoca um misto de lenda e de história, na paisagem histórica e social da Terra dos Garanhuns.

Descendente de velho tronco piratiningano de abencerragens bandeirantes, ela sendo  neta do Mestre de Campo Domingos Jorge Velho, digno êmulo de Fernão Dias Pais Lema e Matias Cardoso de Almeida.

Herdeira, em linhagem direta, das características atávicas dos seus ancestrais: do gênio dos íncolas e caráter aventureiro dos sertanistas prêadores de índios, Simôa Gomes encarna o prototipo de mulher pioneira, aliando a coragem e a bravura as qualidades de jovem sonhadora e idealista. Unindo, paradoxalmente, à bondade do coração, a energia e a altivez. Inteligente, não obstante ser analfabeta e ignorante.

A criança brejeira, filha do Cabo Miguel Coelho Gomes, em conúbio com uma indígena cariri, "na praia deserta dos campos dos Unhanhú, transformou-se, do dia para a noite, na dama de alto porte, destemida e impávida, que cavalgava, varonilmente, fogosos corcéis(cavalos) de seu pai ou dos colonos de sua fazenda Garcia, de  pistolas nos coldres à cinta, à moda brasilica setecentista.

E é este mesmo sentimento confuso, estuante em sua alma, que a suscita, ora a dominar os selvícolas de sua própria raça, como autêntica mameluca no começo da colonização; ora a liberar escravos pretos, mediante alvarás, como aquele de 1726, compulsado por Alfredo Leite Cavalcanti nos arquivos dos Cartórios de Garanhuns, sendo já viúva em plena florescência de sua vida; ora a doar parte do seu patrimônio à Irmandade das Almas, da sua Paróquia de Santo Antônio do Ararobá, num gesto acendrado de misticismo, em 15 de maio de 1756, ma muturidade.

Nascida no fim do século XVII, em dezembro de 1693, no desabrochar de sua adolescência, era já mãe de Valério Ferreira de Azevedo e Bertoleza Ferreira, filhos legítimos do Coronel Manuel Ferreira de Azevedo, a ela unido matrimonialmente, segundo consta do inventário dos seus bens, logo após o seu falecimento, em 1726, e da escritura de doação feita pela mesma, de parte da fazenda Garcia, em 1756.

A última notícia que se possui da pioneira é desta data, parecendo provável que não chegou a presenciar as núpcias do seu filho varão com Águeda Maria e, muito menos, estreitar ao colo os seus netos: Francisca, Antônio, Maria da Luz e Manuel Ferreira de Azevedo.

É justamente deste último, casado com sua prima legítima Maria de Jesus da Silva, que procede Luiz Ferreira de Azevedo, pró-homem de Garanhuns, grande patriarca com uma prole de dezoito filhos, troncos de inúmeras famílias antigas do município.

O primogênito Agostinho Ferreira de Azevedo, residiu na casa de taipa e telhas, que existiu na antiga Praça Rio Branco, segundo afirmou Sales Vila Nova. Simôa Gomes de Azevedo faleceu em 1763.(Fonte: Livro "A Terra dos Garanhuns", do professor João de Deus de Oliveira Dias, ano de 1954).
http://anchietabarros.blogspot.com.br/2014/01/terra-dos-garanhuns-familia-de-simoa.html